Botox® é o nome popular da toxina botulínica, que é uma
substância produzida por uma bactéria, a Clostridium botulinum,
e é purificada em laboratório. Ela se tornou conhecida
principalmente por seu fim estético, mas o uso para fins
terapêuticos iniciou até mesmo antes. Ela é usada como
tratamento de doenças neurológicas desde os anos 90, em
pacientes com espasmos musculares. Estudos posteriores
mostraram que pacientes com dor crônica também tem
resultados positivos com o uso da toxina botulínica.
Inúmeras síndromes dolorosas apresentam bons resultados
após as aplicações, como por exemplo, dor lombar crônica,
síndrome do piriforme, dor miofascial, dores neuropáticas, como
é o caso de pacientes que sofreram lesão medular ou que
apresentam neuralgia do trigêmeo, e pacientes com enxaqueca
crônica.
A enxaqueca crônica é um tipo de dor de cabeça que afeta a pessoa durante 15 dias ou mais do mês. Além da dor, o paciente com enxaqueca crônica sofre um impacto na sua qualidade de vida, muitas vezes abdicando do convívio social, como reuniões familiares, abandonando o trabalho devido a dor, por estar no meio de uma crise. Pessoas com enxaqueca tem mais propensão a distúrbios do sono, como insônia e sono não reparador, além de distúrbios de humor, como depressão e ansiedade.
A toxina botulínica para enxaqueca está indicada naquelas pessoas que apresentam enxaqueca crônica (mais de 15 dias de dor no mês) ou que apresentam crises incapacitantes (ou seja, que precisam se ausentar do trabalho e/ou procurar o pronto socorro para alívio da sua dor).
O objetivo do tratamento é prevenir as crises de dor, reduzindo a frequência, intensidade e duração das crises. Além disso, estudos mostram que os pacientes que estão em tratamento com a toxina, além de ter melhora da dor, apresentam melhora da gravidade dos sintomas de depressão.
O mecanismo pelo qual o Botox® atua na melhora da dor é através da ligação da toxina na terminação nervosa da junção neuromuscular. Com isso a toxina inibe a liberação de neurotransmissores que impedem a contração muscular e promovem o seu relaxamento. Além disso, parte da molécula da toxina é capaz de entrar no neurônio e inibir a liberação dos neurotransmissores que estão relacionados à propagação do estímulo doloroso. Essa inibição do gatilho da dor não se limita ao ponto da aplicação, mas à toda rede neuronal envolvida nesse processo.
A aplicação da toxina botulínica para Enxaqueca segue um protocolo extensivamente estudado e aprovado pelo FDA desde 2010, o Protocolo PREEMPT. Através desse protocolo é realizado aplicação de 5U de Botox® em cada ponto dos 31 previamente definidos (testa, região lateral da cabeça, região posterior da cabeça e pescoço). Além disso, pode ser realizado injeção em pontos adicionais na região das têmporas ou região cervical, de acordo com a dor do paciente.
O procedimento é realizado no consultório médico e dura em torno de 20 minutos. Uma pomada anestésica é aplicada nos pontos de injeção 10 minutos antes. Não é necessário jejum ou outro preparo adicional para a realização do procedimento.
Após o procedimento orientamos que os pacientes evitem atividade física, mas podem retornar ao trabalho normalmente.
As aplicações são bem toleradas e sem efeitos colaterais no organismo. Menos de 10% dos pacientes podem relatar dor no pescoço, dores leves de cabeça, que ocorrem principalmente nos primeiros dias após a aplicação e são transitórios. Alergias são incomuns, mas podem ocorrer pequenos hematomas, inchaço, e coceira no local da aplicação. Esses possíveis efeitos colaterais desaparecem em alguns dias e podem ser aliviados através do uso de analgésicos e aplicação de gelo local.
O início do efeito da toxina botulínica com melhora clínica já é percebido após 7 a 10 dias da realização do procedimento. As injeções devem ser repetidas a cada 3 meses, com a possibilidade de espaçar mais o intervalo ou até mesmo interromper o uso da toxina após 18 meses de tratamento, ou seja, após a sexta aplicação, caso o paciente se mantenha sem dor de cabeça.
Para o uso do Botox® na enxaqueca crônica, apenas o Neurologista devidamente especializado e experiente pode fazer as aplicações nos pacientes. O procedimento requer perícia e amplo conhecimento médico, assim como uma análise individual do quadro clínico do paciente. Só assim se poderá alcançar os objetivos do tratamento com segurança e eficácia.
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